Supercharger secreto da Ford: quando a potência passou despercebida

Supercharger secreto da Ford: quando a potência passou despercebida

Em meados da década de 1950, antes mesmo de existirem regulamentações de emissões, a Ford ofereceu discretamente uma opção de V8 superalimentado de fábrica em seu Thunderbird 1957. Isto não foi amplamente divulgado; era uma joia escondida para quem sabia, numa época em que a força bruta tinha precedência sobre as preocupações ecológicas. A mudança foi incomum, já que os superalimentadores ainda não eram o padrão da indústria, mas a Ford incluiu-os na mistura como uma atualização de desempenho.

A Era do Poder Subestimado

A década de 1950 foi um período de transição para a engenharia automotiva americana. Embora o boom dos muscle cars ainda estivesse a uma década de distância, fabricantes como GM e Ford experimentaram motores de maior potência. Cadillac e Oldsmobile ofereceram V8s respeitáveis, mas a Ford adotou uma abordagem diferente: uma opção de superalimentador de fábrica sem alarde. Este foi um período em que a potência não era o principal argumento de venda, mas para quem procurava mais, a Ford tinha uma arma secreta.

O superalimentador não era uma tecnologia nova, tendo sido usado em aviões de guerra para manter a potência em altitude. No entanto, a sua aplicação em automóveis de consumo era rara. A maioria das montadoras optou por V8s naturalmente aspirados, mas a Ford ofereceu o superalimentador centrífugo McCulloch-Paxton VR57 como uma opção para o V8 de bloco Y de 312 polegadas cúbicas. O resultado? 300 cavalos de potência de fábrica, combinando com alguns carros de desempenho modernos.

O Legado “F-Bird”

A opção superalimentada foi listada junto com outras opções de motor (código D, código E e código C) na folha de pedidos do Thunderbird de 1957. Os clientes podiam selecionar o “código F” para obter o bloco Y superalimentado. Isso significou um aumento significativo de potência por um aumento relativamente pequeno de US$ 340 na época.

No entanto, este não era um recurso convencional. Dos 21.380 Thunderbirds vendidos em 1957, menos de 220 estavam equipados com motor superalimentado. A raridade torna esses carros altamente colecionáveis ​​hoje. Os entusiastas os apelidaram de “F-Birds” em homenagem à designação do código F.

O valor de uma joia escondida

Hoje, um Ford Thunderbird F-Bird 1957 bem preservado pode render somas substanciais em leilão. As vendas recentes tiveram lances superiores a US$ 100.000, com alguns exemplares sendo vendidos por mais de US$ 134.000. Hagerty avalia um Thunderbird de código F de condição nº 3 (bom) em cerca de US$ 80.400. A combinação de raridade, significado histórico e o fascínio de um clássico superalimentado de fábrica torna esses carros um bem valioso para colecionadores.

O facto de a Ford ter oferecido esta opção antes da existência de regulamentações sobre emissões realça uma era diferente na produção automóvel. Foi uma época em que a potência e o desempenho eram o foco principal e os fabricantes não eram limitados por padrões ambientais. Embora a Ford não tenha sido a única a oferecer atualizações ocultas de desempenho (o programa COPO da Chevrolet é outro exemplo), o Thunderbird F-Bird 1957 continua sendo uma peça única da história automotiva.

Estes automóveis demonstram um momento em que os fabricantes puderam experimentar a potência bruta sem restrições externas, tornando-os num exemplo convincente de liberdade automóvel.